Já não és tu.

Hoje relembro algo que escrevi no verão passado: “Se algum dia voltas a ser feliz? Sim e não há nada mais libertador do que saber que já não precisas de alguém de quem já dependeste descontroladamente. Querer, contudo, é outra coisa. Acho que, no teu íntimo, ainda que bem submerso, o querer vai sempre estar lá.” Mal sabia eu o quanto iria aprender, ou melhor, o quanto tu me irias mostrar em tão poucos meses. Hoje não só não preciso de ti como posso honestamente dizer que não te quero nem coberto de ouro, porque sem ti sou a minha melhor versão.

Atenção, o meu objectivo não é rebaixar-te ou ofender-te (ambos sabemos que essa especialidade tem outro dono), até porque já lá vai o tempo em que eu acreditava que era possível ensinar alguém a viver. Nem tão pouco estou a escrever isto para ou por ti; sei que é exactamente isso que vais pensar. Estou a escrever isto por mim, porque me sabe bem libertar-me de todos os “e se?” que me acompanharam durante os anos em que calculei o meu valor pelo valor que tu me davas, porque tenho um orgulho enorme na pessoa que sou quando não estás por perto e, acima de tudo, porque posso e me apetece.

Sabes, quando decidi pôr fim aos “e se?” dentro da minha cabeça o meu medo era só um: que te fosses embora de um momento para o outro outra vez e que eu ficasse a apanhar os cacos de um coração partido porque te apeteceu. No dia em que contei a minha decisão a uma das melhores amigas que algum dia irei ter ela disse-me uma coisa que nunca me vou esquecer: “não tenhas medo, porque desta vez, se acabar, vai ser por tu não quereres mais, porque não és feliz com ele, porque ele não te preenche”. Achei-a louca.

E ela tinha toda a razão. Desta vez quem foi embora fui eu e fui de consciência tranquila, sabendo que ter amor-próprio não é sinónimo de ser egoísta e com a certeza absoluta de que ser amada não é ter alguém ali parado por mera conveniência e que acha que basta respirar para valer a pena. Por isso, já não és tu quem me tira o sono, nem para o bom nem para o mau. Já não penso em ti como pensava, porque finalmente vi-te não como eu gostava que tu fosses, mas como realmente és e nunca irás mudar. E isso não faz mal. Simplesmente já não és tu o amor da minha vida, porque nunca o foste.

– Raquel Simões

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