Tenho saudades de mim.

Tenho saudades das saídas com as amigas que perdi, das conversas sem sentido e sem maldade às duas da manhã com os amigos que afastei, do tempo só meu a fazer coisas só minhas. Tenho saudades de me divertir sem me sentir culpada, de me rir sem me questionar se posso. Tenho saudades de me descobrir. Tenho saudades de mim, da pessoa que sou e que tenho de suprimir a toda a hora para que tu não fiques ofendido nem penses mal de mim.

Amor não é nem nunca foi sinónimo de posse e pensar que se pode exigir, não conquistar, o respeito de alguém é de doidos. Se me prendes, vou acabar por precisar de espaço para respirar. Se me dizes que não gosto de ti, a dada altura começo a dar-te razão. Só faz sentido existir um “nós” enquanto eu for feliz sozinha, mas mais feliz ao teu lado, enquanto eu, mesmo podendo ir embora, escolher ficar. Sufocar-me é a forma mais rápida de me perder.

Acredito que vás dizer que sou igual às outras todas que já te passaram pelas mãos, mas não sou. Não vou embora sem motivo nem desisto do que vale a pena, mas aprendi com a vida que temos de saber quando parar de insistir numa coisa que não tem pés para andar. Cansei-me de tentar agradar-te e, ao mesmo tempo, desagradar-me. Gosto de ti, mas gosto mais de mim. Quem não me aceita, não me ama, e quem não me acrescenta, não me faz falta.

– Raquel Simões

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