Ele.

Ele não fez um estrondo gigante ao chegar, não me deixou de queixo caído, não me mostrou o “amor à primeira vista” como se vê em tantos e tantos filmes românticos que vendem sonhos, esperanças, expectativas e, no fundo, ilusões e desilusões. Ele não foi o meu primeiro amor, não me fez sentir borboletas na barriga e dar em doida por elas não desaparecerem, não me levou a imaginar uma casa e dois filhos assim que entrou pela porta para sair de repente uns tempos depois.

Mas ele pareceu-me familiar. Como uma espécie de amigo dos tempos de infância que surgiu de novo na minha vida e que conhecia uma parte de mim que não mudou nunca, apesar dos percalços e desafios que a vida atirou para cima de mim em jeito de “aguenta-te!” nos últimos anos, fazendo-me perceber que ser crescida não é assim tão bom, que há muito mais sapos do que príncipes a passear por aí e que o fundo do poço existe mesmo.

Ele, acima de tudo, fez-me sentir perfeitamente tranquila com a confusão em que estava a minha vida. Porque eu sou e sempre fui tudo o que tenho de ser, nem mais nem menos, e porque não faz mal não ter controlo sobre tudo. E nem sempre vou ser feliz, nem sempre vou ter o que quero, mas eventualmente tudo ficará bem desde que eu não me esqueça de ser eu. Foi ele quem me ensinou tudo isso. Pode ser que um dia ele descubra e me deixe ensinar-lhe algumas coisas também.

– Raquel Simões

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