O risco de chorar vale a oportunidade de sorrir.

Há momentos que se revelam decisivos na nossa vida. Num segundo se faz ou desfaz o nosso mundo. Nascemos, crescemos, tornamo-nos quem somos, bons ou maus ou um bocadinho dos dois. Depois, num certo dia, conhecemos alguém que, só porque sim, muda a nossa maneira de ver a vida e nos faz questionar tantas das coisas que tomávamos como inquestionáveis. É certo que só os incrivelmente sortudos (ou azarados, depende da perspectiva) irão ter apenas uma pessoa destas ao longo de toda a sua vida, por isso talvez este momento de que te falo te tenha acontecido mais do que uma vez, o momento do “já fui” ou do “estou completamente lixada”, chama-lhe o que quiseres. Contudo, todas as vezes assustam. Só a primeira é que nem tanto… Nem sabes no que te estás a meter, não é verdade? Não pode ser assim tão mau, pensas tu ingenuamente. Mas pode. Muito mau mesmo se tens por hábito não te colocar em primeiro lugar e ter fé a mais nos outros. A dada altura descobres isso e aprendes a proteger-te, a pensar antes de te atirares de cabeça. Mas não consegues ser perfeitamente racional a todo o instante, pois não? Um dia a racionalidade foge pela janela sem te aperceberes e ups!

Gostar nós gostamos de muita gente. Achamos piada àquele mulherengo que trabalha numa das nossas lojas de roupa habituais, deixamos baba ao ver o rapaz que joga vólei na praia onde costumamos ir, ficamos deslumbradas com o charme impossível de ignorar do nosso professor mais jovem. E até podemos chegar a ter alguma espécie de gosto especial por um ou vários desses homens, mais profundo do que puro interesse. Mas são poucos (ou, como já disse, só um) os que nos fazem berrar asneiras nos nossos pensamentos e entrar em pânico em momentos tão estupidamente simples como aquele em que dás por ti a apreciar o sorriso tonto dele ou a forma desajeitada como cozinha. Passas meses com aquela pessoa, gostas de estar com ela sem dúvida alguma, mas controlas-te, porque antes já te magoaram e a lição foi bem aprendida. Depois o controlo vai todo para o lixo num daqueles momentos e tu percebes que, a partir daí, tudo o que podes fazer é rezar (e trabalhar, porque só a chuva é que cai do céu sem esforço teu) para que as coisas funcionem e, caso isso não aconteça, tentar minimizar os estragos no teu coração. Já não há volta a dar, tu és um bocadinho dele assim como ele é um bocadinho teu, e se ele for embora não te devolve aquele bocadinho que te pertencia antes, não por não querer, mas por não conseguir.

A verdade é que na teoria devíamos sempre ser ponderados, calmos, constantes, independentes, mas qual é a pessoa que na prática consegue ser uma ilha a vida toda? Adorava conhecê-la, aposto que é uma pessoa super intrigante. Mas feliz? Não sei. Porque quando acaba dói, mas quando dura é a melhor sensação do mundo. E o que é que andamos aqui a fazer se não arriscamos com medo que acabe? E se tivermos uma boa surpresa e durar? Nunca saberemos sem tentar. Para mim o risco de chorar vale a oportunidade de sorrir.

– Raquel Simões

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