Desculpa e amo-te.

Não sei como começar, desenvolver ou acabar esta conversa, por isso não me julgues se as minhas frases forem confusas ou se puser acentos em palavras que nunca os tiveram. Só quero dizer-te uma coisa, simples, mas essencial, que me tem devorado por dentro nos últimos meses, e depois prometo que não ouvirás mais falar de mim se não for essa a tua genuína vontade. Mas, por favor, dá-me só mais alguns minutos teus. Afinal, também já te dei bastantes meus quando os quiseste e por vezes também não os mereceste, não é verdade?

Desculpa. Desculpa por nunca te ter dito que te amava, por ter duvidado ocasião após ocasião daquilo que tínhamos, por ter deixado as minhas inseguranças e manias de desapego levarem a melhor quando tudo o que eu realmente precisava estava mesmo à minha frente. Sei que nada desculpa a forma como deitei todo o teu amor para o lixo como se não fosse nada, mas só me resta pedir-te desculpa, e espero que consigas ainda ver um bocadinho da pessoa que amas ou amaste (não sei bem que tempo verbal usar, diz-me tu). Queres que implore? Eu imploro. Queres que grite? Eu grito. Queres que chore? Eu choro. Faço tudo o que for preciso para te mostrar que sou quem tu pensavas que eu era e que vales muito mais para mim do que qualquer liberdade abstracta ou felicidade utópica, apesar de o meu carácter estar longe da perfeição como tu bem sabes.

Arrependo-me tanto, mas tanto, meu amor. Começámos de uma forma tão linda e inocente, e eu permiti que o vento levasse tudo, até fiz estupidamente questão de abrir as janelas e as portas para que a corrente de ar fosse mais intensa. Mesmo assim voltaste para mim e eu nada mais fiz do que desiludir-te uma e outra vez. Desculpa. Depois daquela noite, da nossa noite, devia ter aberto os olhos, devia ter-te escrito mil cartas de amor, devia ter aprendido a dar valor a quem mais me amou quando eu menos mereci. Naquela noite esquecemos tudo, lembras-te? Não existiam erros passados nem problemas presentes. Não existia mais ninguém, só eu e tu, naquela sala junto à lareira. Tenho tantas saudades do teu toque, do teu beijo, do teu carinho. Naquela noite eu sabia tão bem que te queria só a ti e que tudo o que não tinha dado certo até então, todas as relações falhadas e as desilusões constantes, tinha sido apenas para que o nosso amor pudesse nascer. Eu que aprendi desde cedo a não mostrar fragilidade e a cuidar de mim sem mais ninguém para o fazer, percebi que contigo valia a pena ser fiel e dedicada. Eu estava tão disposta a cometer a maior loucura da minha vida: apaixonar-me.

Sei que não vale a pena pedir-te uma segunda oportunidade, porque já a tive. Aliás, tive uma segunda, terceira, quarta… Mas não podias pelo menos ter-me avisado que aquele seria o nosso último beijo? Eu nunca te teria deixado ir se soubesse que não voltavas. Desculpa e amo-te.

– Raquel Simões

Este texto foi baseado numa história real cuja fonte prefere permanecer no anonimato. Queres ver aqui uma história tua também? Envia um e-mail para mrsminnie2015@gmail.com ou preenche o formulário disponível em http://www.mrsminnieblog.wordpress.com/contacto.

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