Apaixonei-me num segundo.

Hoje dei por mim a pensar nas razões que levam alguém a gostar de um outro alguém. Como é que é possível conheceres alguém há anos, a vossa relação nunca ter ido para além da boa educação que envolve nada mais do que um “olá” e um “adeus” e, de repente, passares a pensar que encontraste o amor da tua vida? Então e aquelas vezes em que a pessoa te parece tudo menos interessante, em que nem como amigos tu vos consegues imaginar, e depois… Depois, ele salta à velocidade da luz de “não consigo viver com ele” para “não consigo viver sem ele”. Que estranho. Que parvo.

Por esta altura já deves estar com alguém a passar pelos teus pensamentos. Eu com toda a certeza estou. No meu caso, ele era simplesmente incompreensível e um autêntico desastre como pessoa, o típico idiota. De vez em quando via de longe rasgos temporários de simpatia e bom humor, mas a verdade é que na maioria das vezes em que o espreitava pelo canto do olho via uma pessoa fria, sem sentimentos, arrogante e mesquinha. Contudo, algo nele me fascinava e despertava uma curiosidade louca e sem sentido lógico, talvez por o sentir intocável e distante, quem sabe. E foi esse bichinho dentro de mim que não me deixava em paz que fez com que eu me tentasse aproximar dele, mesmo tendo plena consciência de que ele tinha o péssimo hábito de afastar toda a gente que o quisesse conhecer melhor, sem sequer se interessar pelos motivos.

E, então, conversámos, saímos, beijámos, rimos, chorámos, fizemos de tudo um pouco. Finalmente alguém (e tinha de ser logo eu!) tinha conseguido ver para além da máscara de insensibilidade e desapego que ele fazia questão de colocar. Afinal ele era muito mais do que a pessoa que eu tinha visto nos últimos anos a passar pelo corredor da escola. Então, ele, sem insistências ou pedidos meus, disse que me amava, e eu, que nunca esperei ouvir essas palavras vindas dele, descobri que o meu coração podia acelerar só por ouvir o nome dele, por vê-lo passar na rua, por receber um abraço apertado, por tudo e por nada que tivesse a ver com ele. Apaixonei-me num segundo.

Talvez tenha sido esse o problema. Amor requer tempo, paciência e amizade, senão corre o risco de se tornar numa fugaz paixão, que acaba exactamente como começa: num segundo. E agora nem sei mais o que somos, completámos todo o círculo na vida de uma relação, aquele estúpido círculo de que sempre me avisaram: desconhecidos, amigos, amantes, amigos, desconhecidos. Só que saltámos a parte da amizade, tanto no início como no fim, não lhe demos espaço para crescer e todo e qualquer vestígio de nós evaporou, não por vontade minha, mas por vontade da pessoa que eu não quis acreditar que existisse, aquela pessoa rude e egoísta que o que sempre quis foi um alguém, e não necessariamente este alguém, eu.

– Raquel Simões

Este texto foi baseado numa história real enviada por Liliana S. Queres ver aqui uma história tua também? Envia um e-mail para mrsminnie2015@gmail.com ou preenche o formulário disponível em http://www.mrsminnieblog.wordpress.com/contacto.

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