Hoje dei por mim a pensar em ti.

Hoje dei por mim a pensar em ti, nos nossos muitos meses felizes e nos nossos tantos outros meses infelizes. Quase já nem me lembro das feições da tua cara, consegues acreditar? Já passou quase um ano desde que decidiste que já me tinhas usado o suficiente e que estava na altura de ires “viver a vida”. Que tola que fui, para mim a minha vida só estava a ser vivida, e bem vivida, contigo nela, e agora já não sei se nunca consegui ver que não pensavas o mesmo ou se não quis ver.

Só tenho pena de me teres mantido no escuro durante tanto tempo com promessas falsas, declarações fingidas e noites de tudo menos amor. Quanta maldade tem de existir dentro de ti para abordares assuntos tão íntimos como ter filhos nossos no futuro e ter uma casa nossa no presente e depois ires embora só porque queres “viver a vida”? Que cobardia a tua.

Só de pensar que eu, uma mulher que sempre teve a cabeça tão levantada, até demais por vezes, estava disposta a abdicar de vários dos meus sonhos para que pudesses realizar os teus, dá-me vontade de construir uma máquina do tempo e dar um valente estalo em mim mesma. Onde é que estava a minha dignidade, o meu orgulho, a minha auto-estima, o meu amor próprio? Por que razão tive tanto medo de te perder ao ponto de mudar todo o meu mundo para muito pior? Afinal nunca te tive. Não verdadeiramente. Por isso, para quê as lágrimas e as noites sem dormir? Nada disso faz sentido na minha cabeça.

Durante meses pensei “coitada de mim”, fiquei sem o homem da minha vida e todos os planos que fiz com ele, mas afinal nem eras o homem da minha vida nem tão pouco existiam planos.  Agora penso “coitado de ti”, deve ser uma grande chatice olhar à nossa volta e perceber que tudo o que temos e que tem valor, em todos os sentidos que possam passar pela tua mente, foi-nos dado por alguém e nunca conseguido por mérito próprio. A menos que penses que a colecção de bebedeiras e mulheres que com certeza tens feito ao “viver a vida” tenha valor. Se assim for, peço desculpa, tens conquistas só tuas!

Sinto saudade, não vou mentir, e repulsa ao mesmo tempo. A questão é que a saudade que sinto não é de ti, mas sim da pessoa que pensava que eras, uma pessoa bondosa, humilde, sincera. E por respeito a essa pessoa não consigo desejar-te mal, não da maneira que merecias. O único mal que te desejo realmente é que conheças alguém exactamente como tu e que te apaixones como nunca te apaixonaste por ninguém, nem por mim.

Espero que ela te faça sentir especial, que te peça que nunca a deixes, que ria e chore contigo, que crie memórias únicas, que faça planos e promessas impossíveis de quebrar, e depois que te deite fora como um brinquedo usado quando se fartar de ti para ir “viver a vida”. Por isso, força, continua a “viver a vida”. Pode ser que um dia a vida te ensine a viver.

– Raquel Simões

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2 comments

  1. Lilian · Junho 30, 2015

    Meu Deus chorei muito ao ler esse texto ! Exatamente assim que me sinto !

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    • mrsminnieblog · Junho 30, 2015

      Fico contente por te teres identificado com este texto, é um dos que mais gostei de escrever 🙂 Beijinho

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