Quero um amor “porque sim”.

Por que é que será que as pessoas se acham no direito de expressar livre e afincadamente a sua opinião sobre a tua vida? Por acaso são os teus pais ou os teus amigos que vão ter de se deitar todas as noites com aquela pessoa para o resto da vida? É a eles que beneficia ou prejudica a ambição, o carinho, a aparência física, o respeito, o humor daquela pessoa? Se calhar estou a delirar, se calhar insistir constantemente nas frases “quem dera a muitas” e “tiveste imensa sorte” não deveria afastar-me da pessoa que todos consideram ser perfeita para mim, mas antes milagrosamente fazer-me amá-la como nunca amei ninguém antes. Como se eu, ou alguém, pudesse escolher quem amar com base numa lista de prós e contras. Como se o facto de aquela pessoa ser a pessoa mais simpática, atraente, ambiciosa, inteligente, carinhosa do mundo vá logicamente fazer com que eu me apaixone intensamente e descubra que não preciso de mais ninguém.

Para amares alguém é preciso apaixonares-te por esse mesmo alguém primeiro. Sem aquela primeira fase de quase obsessão e paixão louca não existe possibilidade para mais nada. Sem aquela atracção meramente “porque sim” e meio cega como é que consegues depois começar a acalmar o incêndio, que não faz bem a ninguém a longo prazo, para que passe a fogueira, calma e aconchegante? Se começa logo em fogueira muito brevemente se apaga toda e qualquer chama. De início é preciso que sintas vontade de arrancar toda a roupa que tens no corpo quando a pessoa está por perto, é preciso que sintas vontade de lhe ligar às 3 da manhã só para ouvir a sua voz, é preciso que vejas perfeição onde há, como em todo o lado, defeitos.

Se me dizes que te apaixonaste por ele ou por ela por determinadas razões, pergunto-te: Apaixonaste-te mesmo? Ou conformaste-te com a ideia que te venderam da relação perfeita onde tudo, na maioria do tempo, é tranquilo e sem emoções muito fortes e repentinas, onde o que interessa é o respeito e o companheirismo? É verdade que sem respeito não há amor, isso é óbvio. Mas será que não é possível ter um bocadinho do melhor dos dois mundos, uma paixão demente e um amor companheiro?

E se eu quiser mais? E se eu precisar de mais? E se no meu coração só houver espaço reservado para quem me faça suar na cama de prazer e fora dela de desafio? E se eu só for capaz de me contentar quando encontrar alguém perfeito segundo os critérios nada lógicos da minha mente e não os teoricamente correctos da sociedade? Não quero alguém perfeito e cuidadoso que me trate como uma princesa e me faça sentir sempre bem, quero alguém só meu cujo jeito natural toque em todos os pontos da minha alma e do meu corpo, seja para me fazer chorar ou para me fazer rir (se bem que esta segunda parte deva acontecer mais frequentemente, não sou masoquista). Enfim, quero um amor sem razões concretas, um amor “porque sim”.

– Raquel Simões

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2 comments

  1. Catia Aparicio · Junho 10, 2015

    Obrigada por expressares em palavras o que sente a minha alma… Por dar voz a algo tão indefinido como amar e amor… Obrigada

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