Lembras-te? Eu lembro-me.

É fácil sentir saudade daquela história de infância que te liam para te adormecer. É fácil sentir falta daquelas brincadeiras de criança. Aliás, é fácil sentir saudade de a maior das preocupações ser com o que se vai brincar a seguir. É fácil sentir saudade daquela euforia de criança dentro de um carro prestes a chegar ao lugar de destino. Lembras-te? Eu lembro-me.

É fácil sentir saudade daquele entusiasmo imenso que se tinha quando nos anunciavam “vamos jantar fora”. Era um enorme acontecimento. Para nós era! Éramos crianças e tudo o que não fosse comum e rotineiro tornava-se entusiasmante. É fácil sentir saudades de ir a um parque e brincar num baloiço como uma criança feliz. É fácil sentir saudades de quando os pais nos perguntavam num café “o que querem?”. Era a pergunta tão esperada para decidirmos de entre uma pastilha, uma bola com um brinde de uma máquina, ou aquelas gomas sortidas. É fácil sentir saudade de se fazer o teste num carro de ir de pé e tentar manter o equilíbrio nas curvas. É fácil sentir saudade do entusiasmo de ir às compras nesta altura do ano e ver corredores cheios de extraordinários brinquedos. É fácil sentir saudade de ir à praia e passar a tarde toda a fazer castelos na areia ou barreiras para a água não passar, que acabavam sempre por ser destruídas. É fácil sentir saudade de ouvir aquela mesma aventura de infância da avó, vezes sem conta. (Sempre parecia e será extraordinária!) É fácil sentir saudade da nossa infância e ver que crescemos. É fácil perceber que aquelas zangas entre os nossos amigos de infância não passavam de pequenas coisas, que no momento a seguir se desfaziam entre brincadeiras e risadas. Difícil mesmo é perceber e decifrar a saudade de um adulto. Difícil mesmo é desmistificar o que o adulto tende a complicar. Porque na vida de um adulto tudo tem que ter um significado explícito no dicionário. E se assim não o for, já se encontra meio perdido consigo mesmo. Na verdade sentimos saudade e aquela mesma saudade da infância – de coisas simples mas que nos completam e nos fazem falta. Na verdade, sentir saudade é mesmo descomplicar o melhor de nós e darmos asas a algo que vem de nós e nos pertence.

– Nádia C. Guerreiro

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