Não confundas amizade com conveniência.

Hoje em dia parece que toda a gente se considera amigo de toda a gente, mas são poucos os que o sabem ser na verdadeira acepção da palavra. Porque amigo não é aquele que nos diz “isso passa, esquece…” no bar da praia a olhar para o mar e a disfrutar do sol de verão quando na nossa cabeça sabemos tão bem que não passa, nem tão pouco aquele que nos bate nas costas a toda a hora como se nós nunca tomássemos uma má decisão; amigo é, pois, aquele que, mesmo com a cabeça cheia de problemas próprios, arranja milagrosamente espaço para colocar lá mais um, o nosso, seja para nos dar um enorme sermão que nós achamos que não precisamos de ouvir (afinal, já temos pais para o fazer, não é?) por não termos estudado praticamente nada para um exame crucial ou para  irmos para o bairro alto até às tantas da madrugada apanhar a maior bebedeira das nossas vidas só porque o João ou o Diogo nos deixou. Amigo é uma espécie de mistura entre um pai exemplar quando tem de ser e uma péssima influência quando é preciso. O que têm em comum estes opostos? Ambos se metem de corpo e alma nos assuntos, ambos estão presentes a 200%.

Não confundas “amigo” com “conhecido” e, pior ainda, “amigo para o bom e para o mau” com “amigo para o bom”. É tão fácil arranjar uma amiga quando estamos livres, de corpo e de mente, e queremos sair à noite, e para os rapazes funciona da mesma maneira, há um companheiro de bebedeira e de engate em cada esquina. Tens uns quantos assim, não tens? Uns que é só telefonar e estão prontos para sair, ouvir música e beber. Quero ver-te agora a mencionar o nome de 10 amigos que estariam contigo por amor (sim, porque amizade é um tipo de amor, tal como ser pai, mãe ou irmão, e se nunca o sentiste provavelmente nunca tiveste um amigo a sério), independentemente do teu estado físico, mental, civil e financeiro. É complicado, não é? Quantos são aqueles que segurariam no teu cabelo no meio da rua para tu vomitares aquelas bebidas a mais em vez de se rirem da situação? Quantos são aqueles que deixariam de ir sair à noite para ficar contigo a chorar no teu quarto por tu teres acreditado demais num rapaz que conheces há uns meses? Quantos são aqueles que respeitariam a tua relação sem sugerir mentiras e omissões, porque “és jovem e tens o direito de te divertir”? Quantos são aqueles que iriam contigo a pé uma data de km quando não tens dinheiro para meter gasolina ou ir de comboio, mas queres mesmo ir àquele sítio naquele dia?

Ser amigo não é ligar-te para irem sair, é ligar-te só para saber se estás bem, só porque sim. Aceita um conselho: não confundas amizade com conveniência. Com a amizade poderás sempre contar, nem que o teu amigo esteja do outro lado do mundo; com a conveniência haverá uns “azares” e uns dias em que o teu “amigo” estará ocupado, coincidindo precisamente com os dias em que vais precisar dele. Costuma dizer-se que “quem quer arranja uma maneira, quem não quer arranja uma desculpa”. Mas não me interpretes mal, podes e deves ter conhecidos e amigos só para as boas alturas, só não é muito boa ideia iludires-te e confundires uma rosa sem espinhos na florista com uma por arranjar no meio de um campo, podes picar-te.

– Raquel Simões

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